Tietê - Um rio de merda e um programa de reuso de esgotos
Ao assumir o governo do estado de São Paulo, o ex-ministro Tarcísio de Freitas terá imensos desafios em muitas frentes, entre as quais a Sabesp e, em particular, o fato de ser a capital mais rica e moderna do país com um rio de merda passando em seu coração, o rio Tietê!
Isso se deve à atuação da Sabesp, uma empresa controlada pelo governo do estado e que não atende apenas à região metropolitana da capital. A total privatização não resolveria o problema, ainda que possa reduzir em muito a incompetência na formulação e na gestão de projetos.
A empresa tem um programa de despoluição do rio que já se encontra na fase IV. O assim chamado "projeto" teve o seu início em 1992 e sua fase I terminou em 2010, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID (que financia qualquer coisa, já que conta com a garantia de recursos soberanos, isto é, do Tesouro Nacional) e do BNDES.
Ao concluir a Fase III, o "projeto" já tinha consumido US$ 2, 7 bilhões (como se pode ver aqui), sem que o Tietê fosse informado que a qualidade de suas águas deveria ter melhorado. Entre 2010 e 2020, todas o Índice de Qualidade de Água do trecho que atravessa a capital deixaram o rio nas classes de ruim ou péssimo, à exceção de uma única vez em que foi considerado regular, em 2010 (segundo dados resumidos num painel do TCESP).
Agora, o programa de despoluição do Tietê já entrou em sua Fase IV.
Em meio a essa interminável sucessão de insucessos, uma iniciativa de visionária de excelente qualidade se deu em 2001/2002: a contratação de uma das maiores empresas de engenharia norte-americanas para a elaboração de "diretrizes técnicas, econômicas e institucionais, assim como para a elaboração de programa de ação para a implementação de sistema de reuso de esgotos da Região Metropolitana de São Paulo".
A contratação foi feita no rastro da empolgação com o então incipiente Aquapolo, que tinha como eixo o abastecimento da Braskem, então de propriedade da Odebrecht (de triste memória). Tratava-se de estabelecer os requisitos operacionais mínimos para a operação da ETE que forneceria a água que garantiria a segurança hídrica da Braskem e, de quebra, o polo petroquímico no seu entorno.
Com as tecnologias hoje existentes, 100% dos esgotos podem ser reutilizados, inicialmente para consumo industrial mas até mesmo para o fornecimento de água potável. Mas o programa de reuso parou por aí mesmo ou avançou muito pouco.
O Tietê continma imundo e sem uma solução à vista.
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