Reuso de água e o Brasil do atraso - Sabesp X Porto do Açu
Os países assim chamados "sérios" têm taxas muito elevadas de reuso interno de água e avançam rapidamente na direção do reuso potável direto (do esgoto para água potável). Conceitos que no Brasil apenas começam a dar os seus primeiros passos.
A racionalidade econômica é simples: o custo total de captação e tratamento na "entrada" somado ao custo total de tratamento final no lançaento é menor do que o custo do reuso ou recirculação internamente do que a compra de água da operadora, com ICMS que pode chegar a 30%.
A taxa de retorno - IRR - no reuso é maior do que na quase totalidade das áreas de investimento!
Há, é claro, países muito mais avançados, como Singapura, que poderia servir de referência mundial, seguida de perto por Israel. Como se pode vere aqui, Singapura que faz "colheita de água de chuva" (harvest é diferente de coleta, é um estágio mais avançado do caminhar da humanidade)
Pois bem, no Brasil há ainda existem muitas e amplas oportunidades, se o olhar para o assunto contiver alguma visão do futuro e do necessário planejamento, estudo de engenharia.
Dificilmente, isso será feito pela cultura ou, melhor dizendo, monocultura das concessionárias, públicas ou privadas (ou privadas mascaradas, como a Sanepar), sendo que com poucas exceções - de alguns SAAEs - as privadas têm a monocultura da taxa de retorno, e não dos benefícios (também financeiros) da inovação.
Voltando ao reuso, valem dois exemplos. A Sabesp fez em São Paulo os estudos globais de reuso da água na região metropolitana há mais de uma década (felizmente, com uma multinacional de engenharia), talvez para justificar um contrato nunca muito claro que é o de criação da Aquapolo. A ideia e a execução foram excelentes, mas os termos do contrato nunca foram muito claros, incluindo o custo da tubulação de quilômetros.
A partir daí, passos de cágado.
O outro exemplo é o do mega-mineroduto da Anglo American, com seus 529 km em geografia altamente acidentada. Capta-se minério Minas Gerais....e uma quantidade imensa de água - 200.000 litros / hora? -, e essa água fresca, após tratamento, é... lançada no mar.
Agora, sai a notícia de que a Anglo American e a Prumo Logística, que administra o Porto do Açu, vão assinar um "memorando de entendimentos" para o reuso dessa grande quantidasde de água hoje lançada no mar.
Seja lá qual for a razão desse MoU - a contratação de escritórios de advocacia e as condiçoões de venda da água? -, o fato divertido é que todos esses estudos já foram feitos em 2014. Ou seja, em alguns assuntos o pensamento da iniciativa privada estrangeira parece tão lerdo quanto o das concessionárias públicas ou estatais. E olha que hoje em dia está na moda o tal do ESG.
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As autoridades ambientais estabelecer diretrizes sobre o tema - por favor, sem mais normas - seria bom, mas a essas alturas quanto menos "estado" melhor.
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